1. SEES 17.10.12

1. VEJA.COM 
2. CARTA AO LEITOR  A FARSA DEU CADEIA
3. ENTREVISTA  EGON ZEHNDER  A PRAGA DA INCOMPETNCIA
4. CLAUDIO DE MOURA CASTRO  O DILEMA DO ENSINO TCNICO
5. MALSON DA NBREGA  ARMNIO FRAGA PODERIA PRESIDIR O BANCO DA INGLATERRA
6. LEITOR
7. BLOGOSFERA
8. EINSTEIN SADE  ENTENDA COMO TRATAR O VITILIGO

1. VEJA.COM
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

PSDB PT
O JOGO DO SEGUNDO TURNO
PT e PSDB, os dois partidos que polarizam a disputa presidencial, se enfrentaro na maioria das cinquenta cidades que elegem seus representantes no segundo turno, no prximo dia 28. Reportagem no site de VEJA mostra onde os dois partidos tero confrontos diretos e qual o capital poltico que a vitria nesses municpios de grande densidade eleitoral  dezessete so capitais  traz para tucanos e petistas.

MICROCURSO DE REDAO
A redao  o bicho-papo para grande parte dos estudantes que participam do Enem. No texto dissertativo, eles tm de expor ideias e argumentar  revelando, espera-se, um portugus corretssimo. Para ajudar os candidatos nessa tarefa, VEJA.com elaborou um microcurso de redao em cinco captulos  que sero publicados durante a prxima semana. Com base nas orientaes de professores, o curso abordar os seguintes temas: domnio do idioma, adequao ao tema proposto, como argumentar e como apresentar propostas. No ltimo dia, redaes nota 10 sero comentadas.

O DIREITO AOS MEDOS
Pesquisas recentes concluem que metade da populao mundial teve ou ter algum transtorno de ansiedade ao longo da vida  uma incidncia quase vinte vezes mais alta do que h trinta anos. Para Allan Horwitz, doutor em sociologia com especializao em epidemiologia psiquitrica, professor da Universidade Rutgers, em Nova Jersey, e autor do livro All We Have tu Fear (sem edio no Brasil), isso no significa que as pessoas estejam, de fato, mais ansiosas do que no passado. Para ele, mesmo que alguns medos paream exacerbados hoje em dia, eles no devem ser necessariamente considerados um transtorno psiquitrico.

E-COMMERCE BRASILEIRO
O comrcio eletrnico cresce de maneira acelerada no Brasil: neste ano, o faturamento do setor deve ultrapassar os 22 bilhes de reais, alta superior a 20% em relao a 2011. Apesar disso, a rea se ressente da falta de profissionais. Levantamento obtido com exclusividade por VEJA.com, realizado pela e-bit, empresa que consolida dados do e-commerce nacional, e pelo grupo Buscap, revela que 65% das empresas que precisam de profissionais esbarram na m preparao dos candidatos. Ruim para o mercado, bom para quem j est ou quer entrar nele.


2. CARTA AO LEITOR  A FARSA DEU CADEIA
     Os polticos, de modo geral, habitam um mundo onde as verses predominam sobre os fatos, as imagens virtuais sobre a realidade e a linguagem  usada mais para esconder do que para mostrar. Por essa razo, quando forados a abandonar seu universo paralelo e enfrentar o escrutnio da imprensa, o aguado senso comum da opinio pblica ou a severidade da Justia, eles partem para o ataque irracional. O escndalo do mensalo  o exemplo mais recente disso. O mensalo foi um esquema de corrupo, posto a funcionar no comeo do primeiro mandato de Lula, que consistia em comprar com dinheiro desviado dos cofres pblicos parlamentares da base de sustentao do governo. Na semana passada, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou  priso o ex-ministro da Casa Civil Jos Dirceu, punindo-o por comandar o mensalo, que ele insistia ser uma farsa montada por inimigos.
     O veredicto da maioria dos ministros do STF ps fim a sete anos de dissimulaes em que os brasileiros foram bombardeados pelos rus do PT e seus apoiadores com a tese de que o mensalo nunca existiu e tudo no passou de uma tentativa de golpe da imprensa e da oposio. No processo de ludibriar a nao, os polticos petistas quebraram todas as regras da convivncia democrtica, usando instncias de governo para atacar e desacreditar aqueles identificados como responsveis pelo escndalo. Ao condenar Jos Dirceu, Delbio Soares e Jos Genoino, todo o primeiro escalo do governo petista de ento, o STF mostrou inequivocamente quem foram os responsveis pelo mensalo. A solidez da acusao e o acatamento de suas teses pelos ministros pulverizaram a verso inventada pelos rus.
     Os brasileiros comemoraram a deciso do STF como uma vitria dos valores republicanos, do vigor das instituies e da importncia de uma imprensa livre e independente. Responsvel pela descoberta do esquema de compra de parlamentares, a imprensa foi o alvo preferencial dos ataques dos mensaleiros. VEJA e os grandes jornais do Brasil no se intimidaram e continuaram a apurar e publicar notcias sobre o escndalo. A vigilncia e a obstinao da imprensa foram reconhecidas pelos ministros do STF. Se a imprensa tivesse renegado sua misso de ser os olhos da nao, certamente os responsveis pelo mensalo nunca teriam sido punidos, as verses teriam prevalecido sobre os fatos e o universo paralelo de Dirceu e companhia teria sido imposto como a verdade oficial. A euforia se justifica. O STF sinalizou o fim da impunidade de corruptos e corruptores e abriu as portas de uma nova e auspiciosa era para o Brasil.


3. ENTREVISTA  EGON ZEHNDER  A PRAGA DA INCOMPETNCIA
O suo especialista em recrutamento diz que a falta de qualificao dos funcionrios pblicos nomeados por padrinhos polticos chega a ser mais danosa do que a corrupo.
DUDA TEIXEIRA

Escolher o melhor candidato para comandar estatais ou rgos pblicos deveria ser um processo muito mais cuidadoso e rigoroso do que o adotado pelas empresas privadas. Essa  a tese central defendida pelo suo Egon Zehnder, um dos mais famosos headhunters do mundo. Dono de uma empresa de recrutamento com escritrios em 38 pases, inclusive o Brasil, ele participou da seleo e escolha de presidentes de estatais e de instituies pblicas da Inglaterra, da Austrlia, de Singapura e da Sua. Aos 82 anos, Zehnder entrevista, todos os dias, pessoalmente, candidatos s vagas de consultor em sua empresa. Defensor apaixonado da meritocracia, ele critica a proliferao de cargos de confiana na administrao pblica brasileira.

No Brasil, mais de 22.000 cargos do governo federal so de confiana (preenchidos por critrios polticos). Mais de 1000 s no primeiro escalo. O que o senhor acha desses nmeros? 
Mesmo considerando o tamanho do pas, so nmeros exageradamente altos. Na Sua, onde moro, no existe um nico cargo pblico que possa ser preenchido por algum cuja nica qualificao seja atender a critrios polticos.

Por que o excesso de cargos de confiana  ruim? 
Quando se fazem concursos pblicos ou se adotam outros mtodos objetivos de seleo, a chance de que os critrios utilizados tenham sido justos e adequados  maior. A sociedade precisa ter a garantia de que o escolhido  o mais capaz para desempenhar a funo, conhece a rea e j passou por vrias situaes parecidas com as que vai enfrentar no futuro. Exercer um controle rigoroso sobre os processos de recrutamento  algo plenamente possvel. Mas  muito difcil ter esse domnio quando se precisa preencher dezenas de milhares de cargos. Se o eleito no tiver as exigncias mnimas para a funo, certamente a empresa ou instituio enfrentar percalos a curto, mdio ou longo prazo. Nenhuma nomeao de diretor de estatal ou de autarquia deve ser 100% poltica.

Nomeaes equivocadas so mais danosas no setor pblico ou no privado? 
A escolha errada de um funcionrio de alto escalo traz mais consequncias indesejadas em instituies governamentais. Elas tm um papel na sociedade que vai muito alm dos interesses econmicos dos acionistas. Um erro na nomeao reduz a possibilidade de a empresa estatal ou o rgo pblico desenvolver seu papel social e limita a capacidade do pas para alcanar seus objetivos estratgicos. Tambm leva a resultados decepcionantes em termos de volume de produo e no desenvolvimento interno de tecnologia. Uma pesquisa publicada na revista da Harvard Business School em 2001 mostrou que, entre os diversos fatores que determinam o desempenho de uma empresa e que podem ser controlados, a seleo dos gestores  a que tem a maior relevncia estratgica. A escolha certa do presidente de uma empresa pode ter um impacto positivo de 40% no seu resultado.

Existe alguma relao entre corrupo e incompetncia administrativa? 
 claro que se devem selecionar sempre pessoas com integridade, para impedir fraudes, tanto no setor pblico quanto no privado. Estima-se que o custo da corrupo represente 5% do faturamento das companhias, um dado aviltante. Estatisticamente, porm, a corrupo  menos nociva do que a escolha de um gestor ineficiente.

Como assim? 
Basta fazer a conta. Um trabalhador na linha de produo de uma fbrica que tenha todas as qualidades para o seu ofcio produz 40% mais do que um funcionrio-padro. Pesquisas acadmicas tambm tm mostrado que, quanto mais complexa  a tarefa, maior a diferena de produtividade entre os funcionrios. Um bom vendedor de seguros consegue comercializar 240% mais do que um colega mediano. Para funes que exigem mais qualificao, como programador de computador ou gerente de contas em uma empresa de servios, o aumento de produtividade pode ser da ordem de 1000% ou mais. Uma companhia que possui um quadro de pessoal sem brilho produzir, portanto, uma frao de uma concorrente cheia de talentos. Ao se compararem esses nmeros com os 5% de perdas provocadas por corrupo, fica claro o que  mais relevante.  absolutamente necessrio combater a corrupo, mas tambm se deve evitar o escndalo oculto das nomeaes de funcionrios incompetentes, cujos efeitos chegam a ser piores do que os desvios ticos. Nesse sentido, o grande nmero de apadrinhados polticos no Brasil  um escndalo em si.

Em que pases a seleo dos altos funcionrios estatais  feita de forma mais profissional? 
Em alguns pases, as nomeaes so feitas puramente por motivos polticos. Raramente, ou nunca, isso leva a bons resultados. Em outros, o processo  to regulado e engessado que se torna difcil atrair bons candidatos. De modo geral, quanto mais o conceito de meritocracia est enraizado em uma sociedade, menos provvel  que a populao aceite pessoas ineptas para ocupar funes executivas. Meritocracia  um valor que anda de mos dadas com os nveis de ensino. Uma sociedade bem-educada entende mais claramente as consequncias desastrosas das nomeaes erradas. Um ministro sem credibilidade em seu campo de atuao ou sem habilidade para montar uma boa equipe pode paralisar os servios pblicos sob sua responsabilidade. Uma populao bem-educada no toleraria isso. Em pouco tempo os cidados perceberiam o que h por trs dos resultados decepcionantes, e futuras nomeaes que no levassem em conta a meritocracia no seriam mais aceitas. Em pases com baixo nvel educacional, os erros de nomeao so a regra.

Esse  o caso do Brasil? 
O Brasil j melhorou bastante. No setor de telecomunicaes, at os anos 1990, os dirigentes das empresas eram todos escolhidos pela convenincia poltica e pela influncia nos governantes. Em geral, eram deputados e senadores. A meritocracia no estava no jogo. Esse  um setor particularmente crtico, porque as decises precisam ser rpidas e baseadas em tecnologias que se renovam rapidamente. Uma nica deciso errada pode ser catastrfica para a empresa. Nesse perodo, antes da privatizao, eu conheci o presidente de uma estatal brasileira que tinha todas as credenciais necessrias para o trabalho, mas que no conseguiu nomear um nico membro do seu conselho de diretores com base em critrios objetivos. Todas as indicaes que ele foi obrigado a fazer eram polticas. Como resultado, a empresa era ineficiente. No havia linhas telefnicas suficientes para a populao e o custo dos servios era proibitivo. As privatizaes mudaram essa realidade.

As estatais brasileiras hoje sabem contratar seus presidentes e diretores? 
O cenrio atual  bastante heterogneo. Algumas empresas conseguem fazer boas escolhas. Um exemplo  a Companhia Energtica de Minas Gerais (Cemig), que tem capital aberto e  controlada pelo governo do estado. Mesmo com as leis restritivas que governam as companhias estatais, como a que impede os recrutadores de comparar os candidatos internos com os melhores do mercado, a Cemig tem feito um bom trabalho. Nossos consultores no Brasil, contudo, tm escutado muitos empresrios de grandes companhias privadas queixando-se dos diretores das agncias reguladoras. Algumas dessas nomeaes foram to equivocadas que o setor como um todo foi prejudicado. Faltam aos chefes das agncias reguladoras brasileiras os conhecimentos bsicos para poder dialogar com diretores de companhias privadas. Com isso, muitos investimentos acabam sendo adiados. Setores inteiros da economia passaram a ter um desenvolvimento aqum do seu potencial.

A legislao trabalhista brasileira dificulta muito as demisses. No setor pblico isso  praticamente impossvel. Qual  a consequncia disso para o desempenho das companhias? 
O consultor americano Jim Collins enumerou vrios fatores que levam uma organizao a obter sucesso. Colocar um grande lder no topo do organograma  apenas um deles. Tambm conta a capacidade de demitir os piores funcionrios e manter os melhores. De preferncia, nas posies certas. Uma companhia sem liberdade de dispensar as pessoas que no atendem s expectativas obviamente ter de operar de forma precria. Nessas situaes, a qualidade dos produtos e dos servios quase sempre  ruim. Um contexto em que  quase impossvel demitir os funcionrios no faz sentido no sistema capitalista. Nos pases em que foram adotadas medidas para facilitar os processos de demisso, as empresas privadas e pblicas ganharam competitividade. Foi o que ocorreu quando Silvio Berlusconi assumiu o governo da Itlia na dcada de 90, aps anos de administrao socialista. Os lucros das empresas cresceram e elas puderam competir melhor no exterior. Na Inglaterra, o Partido Conservador, de David Cameron, substituiu o Partido Trabalhista no poder, h dois anos. Como essa mudana ocorreu recentemente,  cedo para analisar seus efeitos. Em geral, eles aparecem depois de quatro anos de reformas, mas acredito que sero positivos.

Para enfrentar uma profunda crise financeira, pases como a Grcia e a Itlia escolheram tecnocratas para conduzir o governo. Foram boas escolhas?
Enquanto nos ministrios, nas estatais e nas fundaes  preciso sempre ter um especialista na liderana, quem deve estar na chefia do governo so os polticos. As situaes de crise extrema so uma exceo. Nesses casos, um tecnocrata, ou seja, um economista ou um administrador qualificado para a gesto pblica, pode tomar uma srie de decises polmicas e urgentes que seriam extremamente difceis para os polticos tradicionais. Governar um pas inteiro por muito tempo sem uma base de apoio poltica, contudo,  invivel. Pelas leis da democracia, o chefe de governo precisa ter uma base poltica ampla. Essa sustentao vem dos partidos polticos, dos sindicatos, das prefeituras e, acima de tudo, dos cidados. So eles que devem orientar as polticas pblicas. A longo prazo, os tecnocratas devem ocupar apenas cargos de nvel ministerial para baixo.

Nos pases onde a presena do estado na economia  maior, h mais dificuldade para escolher as pessoas certas nas estatais e no governo? 
No necessariamente. Singapura tem uma economia muito controlada. Apesar disso, os diretores das estatais so cuidadosamente selecionados e esto sempre muito bem alinhados com as necessidades do negcio. O pas tem um grande nmero de empresas pblicas. Singapura tem um governo muito integrado ao mercado, e ao mesmo tempo  extremamente controlador. Trata-se de uma situao diferente da dos Brics (Brasil, Rssia, ndia e China), que, em geral, so cticos em relao ao mercado e tampouco querem entregar o comando das empresas ao setor privado.

Como foi que Singapura, uma cidade-estado com 5 milhes de pessoas, conseguiu formar alguns dos melhores executivos do mundo? 
Os fundadores de Singapura decidiram que, por serem pobres em recursos naturais e terem um mercado interno restrito, a nica sada econmica era investir no talento humano. Ento, enviaram os estudantes mais promissores s melhores universidades no exterior e por fim os contrataram para trabalhar dentro do governo. Depois de dcadas de decises acertadas no setor pblico, Singapura se tornou uma das naes mais competitivas do planeta. Esse processo disciplinado de formar, selecionar e reter os melhores talentos na administrao pblica levou a uma transformao incrvel. Singapura comprovou que a meritocracia no governo tem timos resultados. Esse caminho no foi o escolhido, por exemplo, pela Jamaica. Os dois pases deixaram de ser colnia inglesa ao mesmo tempo, no incio dos anos 1960. Eram duas naes situadas em ilhas subtropicais. igualmente pobres e com populaes equivalentes. O que  a Jamaica hoje? Um pas irrelevante.


4. CLAUDIO DE MOURA CASTRO  O DILEMA DO ENSINO TCNICO
     L na dcada de 70, minhas pesquisas mostravam uma situao bizarra nas escolas tcnicas federais. Quanto maiores e mais dispendiosos os esforos para melhor-las, menos elas cumpriam o seu papel. De fato, por serem as nicas escolas gratuitas de qualidade, passaram a atrair os alunos academicamente mais fortes. Na prtica, viraram reserva de mercado para as classes mais altas, cujo nico interesse era a preparao para vestibulares competitivos. Alijavam assim os mais modestos que queriam ser tcnicos, frustrando-se o objetivo original do curso. Em 1985, eu participava de uMa comisso do MEC para examinar essas escolas. Sugeri que fosse separada a vertente acadmica da profissional. Assim, quem quisesse fazer vestibular no perderia tempo nas oficinas, deixando as vagas para quem pretendesse exercer as profisses aprendidas. Palavras ao vento. Em meados de 1990, estava no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e assessorava o ministro Paulo Renato, interessado em um emprstimo para o ensino tcnico. Mas a proposta esbarrava no elitismo e na distoro dos cursos. Diante do impasse, desenterrei a minha proposta, que foi aceita e implementada. Quem quisesse o vestibular escolheria o ramo acadmico. Quem quisesse a profisso iria para o ramo tcnico, depois de formado no ensino mdio. Ou, ento, poderia fazer o mdio, simultaneamente.
     Os diretores das principais escolas tcnicas no apresentaram objees  proposta. Porm, a nossa esquerda pedaggica no a deglutiu. Dados da Fundao Paula Souza mostraram que as vertentes tcnicas passaram a receber alunos mais modestos e interessados em exercer a profisso. Deixaram de ser monopolizadas pelas elites  a quem pouco interessavam as oficinas. Aps a mudana de governo, entraram no MEC os inconformados com a separao. Tentaram voltar atrs, mas, em virtude da grita, somente as escolas federais tornaram a integrar o acadmico ao tcnico. As razes para junt-los permanecem misteriosas para a cabea simplria deste autor. A bandeira desfraldada era uma tal politecnia, criada por Gramsci, l pelos anos 1920, enquanto morava na cadeia. Prescrevia um ensino combinando as disciplinas tcnicas com as acadmicas e com o trabalho. Mais que isso, no entendi. Mais uma teoria difana, encaixando o tcnico em um ensino mdio embaralhado, pois  um caminho nico, sem diversificao, com excesso de disciplinas e de contedos, distante do mundo real e chatssimo. To ruim que est encolhendo!
     Na minha agenda, o assunto dos cursos tcnicos ficou em banho-maria, at que fui convidado para a banca de uma tese no Piau. Nela, com muita competncia, Samara Pereira mostra como tudo isso aterrissou na escola tcnica (hoje instituto federal) do seu estado.  poca do Paulo Renato, os arautos da politecnia denunciaram o autoritarismo da deciso. Curiosamente, nada foi mais autoritrio do que a restaurao do velho sistema no Piau. L, a pesquisa com o ciclo (re)integrado mostrou o desagrado com uma deciso imposta de cima para baixo. Professores do ramo profissionalizante protestam contra a diluio do foco profissional do ensino, herdeiro de uma tradio de proximidade s empresas. Professores do ramo acadmico fazem coro com os alunos, lamentando a perda de tempo com assuntos profissionais que os desviam da preparao para os vestibulares. De fato, 99% dos alunos querem ir para o ensino superior  a maioria, em rea completamente distinta. A integrao curricular no ocorreu, pois os professores das disciplinas propeduticas continuam pautando as aulas pelas questes do vestibular. Curiosamente, sobreviveu aos embates o curso tcnico (modular) de um ano e meio a dois, para quem j tem o diploma de curso mdio, portanto, desintegrado. E a sua matrcula permanece superior  do ciclo (re)integrado. Em quem devemos prestar ateno? Nos alunos modestos que querem vaga para adquirir uma profisso? Nos que querem mais tempo para apostar tudo no vestibular escolhido? Nas empresas que no recebem tcnicos? Por que o MEC capitulou diante dos fiis seguidores da misteriosa politecnia de Gramsci?  assim que se faz poltica pblica?
CLAUDIO DE MOURA CASTRO  economista


5. MALSON DA NBREGA  ARMNIO FRAGA PODERIA PRESIDIR O BANCO DA INGLATERRA
     Enquanto no Brasil se desmonta a autonomia do Banco Central, o Reino Unido escolher o novo presidente do Banco da Inglaterra (O banco central) por um mtodo competitivo e transparente. Aqui, o ministro da Fazenda invade a competncia do BC e fala abertamente que a taxa de juros (Selic) no vai aumentar. L, isso no existe.
     Em recente edital, o Tesouro britnico e o Banco da Inglaterra convidaram os interessados a apresentar suas credenciais para o cargo, que vagar em 2013. Quem quiser concorrer dever enviar a ficha de inscrio. Exige-se liderana, capacidade de inspirar confiana e credibilidade dentro do banco e nos mercados financeiros.  preciso experincia no exerccio de cargo semelhante ou ter exercido funo de alto nvel em um grande banco ou outra instituio financeira. No se requer nacionalidade britnica. Pode, pois, ser um brasileiro. O processo segue a tradio iniciada com a profissionalizao do servio pblico britnico em 1871, no governo de William Gladstone.
     No   toa que o Banco da Inglaterra participa da prpria escolha de seu dirigente mximo. Sua longa histria comea em 1694, na esteira das amplas mudanas institucionais da poca. Ao assumir a gesto da dvida pblica, o banco contribuiu para elevar a confiana e para a queda da taxa de juros. Suas inovaes criaram o mercado de crdito para empresas, impulsionaram a atividade econmica e foram decisivas para a Revoluo Industrial.
     O banco era uma instituio privada at 1946. Mesmo antes da estatizao. exerceu crescentes responsabilidades na economia. No fim do sculo XVIII, virou o banco dos bancos, cabendo-lhe o redesconto, a gesto de crises bancrias e a estabilidade da moeda e do sistema financeiro. Sempre gozou de autonomia operacional na prtica, mas se tornou independente por lei em 1997, no governo de Tony Blair. Como  normal, o banco se articula com o ministro da Fazenda e com o Tesouro, aos quais cabe fixar a meta de inflao a ser perseguida pela instituio. Essa relao  de coordenao de polticas e no de subordinao. O ministro no dita o nvel da taxa de juros nem fala publicamente sobre o assunto, como muitos por aqui imaginam.
     Na atual crise, a exemplo de seus similares nos pases ricos, o banco visita novas plagas, visando a evitar falncias bancrias e a recuperar a economia. Proporciona liquidez ao sistema econmico por vias no convencionais, o que tem sido interpretado como submisso  orientao do governo. Essa viso, adotada pelos que questionam a autonomia operacional do nosso BC, inclusive no governo,  inteiramente equivocada. Nenhum dos bancos centrais dos pases avanados age por ordem de seus governos.
     A revista The Economist (10/9/2012) assinalou os desafios do novo presidente do Banco da Inglaterra. Nestes tempos de crise, alm da experincia nas atividades da instituio, ele deve ser capaz de explicar aos polticos e ao pblico como conduzir suas complexas tarefas. Por isso, defende a revista, no se pode fazer a escolha recorrendo-se apenas ao estreito estoque de potenciais candidatos britnicos. A busca do novo presidente deve ser global, diz. Para tanto, The Economist lembra trs estrangeiros qualificados, de prestgio mundial, entre eles o brasileiro Armnio Fraga, que presidiu o BC entre 1999 e 2002. A deciso acontecer at o fim deste ano.
     No seria a primeira vez que um estrangeiro exerceria cargo de alto nvel no governo britnico. Antes da privatizao, em 1988, a empresa British Steel, gigante do setor siderrgico  hoje parte do grupo Corus , foi presidida por um canadense. Recentemente, um dos membros do Comit de Poltica Monetria do Banco da Inglaterra era argentino.
     O processo de escolha britnico no poderia ser adotado por aqui, seja porque a lei exige a nacionalidade brasileira para o presidente do BC, seja porque ainda estamos distantes da cultura do servio pblico e do estgio de desenvolvimento institucional do Reino Unido. Pede-se pelo menos que se mantenha a sua autonomia operacional, alcanada mesmo sem lei especfica, e no se destrua o trabalho de construo institucional de mais de duas dcadas.


6. LEITOR

JOAQUIM BARBOSA
O menino pobre nascido na mineira Paracatu tem sido fundamental na diviso da histria recente do Brasil em antes e depois do julgamento do mensalo (O triunfo da Justia, 10 de outubro).
LUS EDUARDO A. CHAMADOIRO
Salvador, BA

Obrigada, ministro Joaquim Barbosa. Vossa Excelncia se vergou s dores nas costas, mas no se vergou  injustia.
NOEMIA MARIA DE FTIMA LINHALIS EGERT
Vitria, ES

Joaquim Barbosa  um homem brilhante, de esprito nobre, que procede com justia diante das barbries de nosso pas.
MARLIA LAGO RODANTE VICENTIM
Jos Bonifcio, SP

So exemplos como o de Joaquim Barbosa que os jovens de hoje tm de conhecer e seguir.
FERNANDA PORTELA TEIXEIRA
Teresina, PI

Parabns a VEJA por estampar na capa, na Semana da Criana, a imagem de uma delas que hoje faz histria.
FABIANA ALMEIDA DA SILVA
Joo Pessoa, PB

Da desconfiana inicial no julgamento do mensalo, o Brasil passou a respirar tranquilo com a posio firme de Joaquim Barbosa. Este Diamante Negro nos deu um exemplo de fidelidade aos princpios morais, ticos e jurdicos no pais.
SAMUEL ROCHAEL. 
Goinia, GO

A imagem da capa de VEJA mostra uma criana smbolo da dignidade humana.
GABRIEL CIPRIANO
Rio de Janeiro, RJ

Este menino pobre fez a diferena, ao contrrio de outros que absurdamente no viram nada.
ANA ELENA LAZAREVITCH
Rio de Janeiro, RJ

Emocionei-me ao ver a capa da VEJA. Parabns aos ministros do STF que honram a toga.
MRCIA HONORATO
Goinia, GO

O ministro renovou nossa esperana na Justia.
MARINALVA PIRES 
Lauro de Freiras, BA

A brilhante reportagem de capa da edio 2290 fez meus olhos marejarem pela soberba demonstrao de aplicao da Justia.
LUCIANO R. COSTA
Jaboato dos Guararapes, PE

O ministro Joaquim Barbosa estava muito bem preparado quando a oportunidade
surgiu.
CRISTIANE CUNHA BELTRAME
Araraquara, SP

Joaquim Barbosa para presidente do Brasil. Nosso homem do sculo!
PETER GRTNER 
Rio de Janeiro, RJ

Ele j tem o meu voto para presidente do Brasil.
PAULO WOLF
Cotia, SP

Joaquim Barbosa  um servidor pblico que est cumprindo seu dever.  um equvoco v-lo como heri.
ELZA GALDINO
Florianpolis, SC

O ministro Joaquim Barbosa no est fazendo nada mais do que diariamente fazem os honrados magistrados, promotores, procuradores e advogados na busca das garantias fundamentais e na aplicao do ordenamento jurdico.
PAULO SERGIO MENDES DE CARVALHO
Taubat, SP

Joaquim Barbosa  o cara.
JOO FERNANDO KRAHE
Porto Alegre, RS

O ministro Joaquim Barbosa merece o respeito e o agradecimento dos brasileiros por sua coragem e competncia em julgar e condenar os mensaleiros. Desejo felicidades e boa sorte ao senhor.
LUCIA TEIXEIRA
Braslia, DF

A reportagem sobre Joaquim Barbosa consagra a fundamental importncia do mrito. No h nada no mundo (bero de ouro, cota racial ou qualquer outra poltica afirmativa) que substitua o trabalho, a determinao, a coragem e a honestidade na caminhada em direo  plena cidadania.
MARCOS POGGI
Rio de Janeiro, RJ

Aplausos para Joaquim Barbosa, que vai deixar seu nome na histria do Brasil como um homem digno.
JOSE ZITO DE MACEDO FILHO 
Fortaleza, CE

VEJA
Quando fui baixar a verso de VEJA no iPad (minha rotina semanal), fiquei imaginando qual seria a capa dessa vez: Hebe Camargo? Jos Dirceu? Ricardo Lewandowski? Merecidamente vi estampado o semblante da honestidade, do carter, da retido. Um exemplo.
ANA MARISA DE OLIVEIRA COSTA
Dourados, MS

 por reportagens como essa da capa da edio 2290 que sou assinante de VEJA. Outro dia, ouvi em um programa de rdio de Porto Alegre um cidado jactar-se de nunca ter sido assinante da revista. Decidi ento renovar a minha assinatura por trs anos: na prxima, com um bom desconto, aceito renovar por at dez anos.  um investimento para deixarmos de ser manipulados.
GUSTAVO SCHLOTTFELDT
Cachoeirinha, RS

HAROLD G. KOENIG
Adorei a entrevista com o psiquiatra americano Harold G. Koenig (Um poder invisvel da f, 10 de outubro). Cincia e espiritualidade sempre andaram juntas, elas se completam.  uma combinao perfeita.
LIZIA MACEDO REGIS FONTES
Recife, PE

Sou cristo, catlico e no dia 5 de agosto de 2012 sofri um infarto, fiquei uma semana na UTI, tive alta e agora est tudo bem comigo. Em momento algum tive medo. A religio me ensinou uma coisa muito importante: nada acontece por acaso. Aceitar o que acontece conosco nos fortalece e acalma o corao.
BENEDITO APARECIDO TUPONI
Por e-mail

A entrevista com o doutor Koenig foi uma das melhores que j li. Fiquei admirada com a inteligncia e a sensibilidade desse mdico que, com convico e observao cientficas, exps um lado fundamental da sade: a f que remove montanhas.
FERNANDA GRECO CASSANHO 
Campinas, SP

Sou ateu e discordo da afirmao do doutor Koenig quando diz que apenas uma frao do mundo pode ser explicada pela cincia. No  possvel saber se a cincia explica muito ou pouco, apenas que ela continua avanando. Manteremos a mente aberta, mas, como diz a anedota, se abrir demais o crebro cai.
SRGIO BENEDITO FALASQUI
Campinas, SP

Os ateus e agnsticos vivem questionando a si mesmos e a religio  procura de algo mais crvel do que o abstrato.
JOS RUBENS DO AMARAL
Valinhos, SP

O psiquiatra Koenig defende o que os nossos avs j diziam.
LOUIS ANTONIO DE MENDONA 
Londrina, PR

ERIC HOBSBAWM
Cravando o merecido epitfio, o texto Foi-se o martelo (10 de outubro) foi no ponto essencial do brilhante, porm tendencioso, historiador ingls Eric Hobsbawm.  uma pena que ainda restem tantos e fervorosos iludidos.  incrvel que eles tenham conseguido implantar, oficialmente, o marxismo como marco filosfico na Escola Pblica de Santa Catarina. Aonde chegamos!
RENATO ANTONIO RABUSKE
Florianpolis, SC

Apreciei a sntese: O marxismo  um credo que tem profeta, textos sagrados e promete levar seus seguidores ao paraso.
Salvador BA
ASSIS UTSCH
Curitiba, PR

Hobsbawm era marxista, mas morava na Inglaterra, bero do liberalismo.
WAGNER CARLOS D. NASCIMENTO E SILVA
Braslia, DF

O MST aprendeu prticas agrcolas com Stedile, planejamento com Marx, moral e
tica com Boff, senso de justia com Che... e pecuria com Hobsbawm. T explicado o fracasso!
LUIZ PREZ LIMA
Curitiba, PR

A leitura de A Era dos Imprios, A Era das Revolues, A Era do capital e A Era dos Extremos no permite concluir que Hobsbawm, declaradamente marxista, tenha sido um devoto religioso ou que tenha tido a viso embaada pelo marxismo. Os trechos escolhidos parecem-me insuficientes para sustentar a argumentao principal do articulista.
WALTER MATOS DE OLIVEIRA JR. 
So Paulo, SP

No texto Foi-se o martelo, desde a ironia travessa do ttulo at o fim irreverente, temos a exposio leve, mas decidida, dos expedientes de fanticos que vestem dogmas para exculpar malfeitorias. 
INS LEVIS
So Paulo, SP

J.R. GUZZO
Os que trabalham com produtos lcteos nos recantos deste Brasil sabem bem quo difcil  conseguir o SIF (do Servio de Inspeo Federal), como mostrado no artigo O queijo e a lei (10 de outubro)  principalmente pelos altos custos dos investimentos necessrios, que tornam inacessvel tal licena para os pequenos e mdios produtores.
FRANCISCO PERAZZO
Joo Pessoa, PB

O queijo de minas representa uma das maneiras que os mineiros tm de ser brasileiros.  uma mineirice. No posso comer o queijo de minas na sua total mineirice. No posso comer goiabada com queijo, como os mineiros fazem, portanto no posso conhecer Minas Gerais, como gostaria, mas a indstria pode pr o nome queijo de minas (ou canastra) em um queijo qualquer, pasteurizado e sem qualidade.  a homogeneizao do gosto, esquecendo que a riqueza do Brasil  a sua pluralidade, que tambm se expressa nos inmeros sabores deste imenso pas. Comer queijo de minas  ligar-se a quem o preparou e  sua histria. A proibio de com-lo est na contramo da histria e do desenvolvimento do Brasil.
ROSANA PECCINI 
Caxias do Sul, RS

Sou engenheiro de alimentos e no concordo com o emaranhado legal das normas que regulam os produtos de origem animal, mas a viso do articulista foi muito simplista. Os exemplos citados, como o caso dos tachos de cobre, envolvem questes tcnicas que vo muito alm das leis.
JEAN A.S. GALDINO
Juiz de Fora, MG

LYA LUFT
Meu marido e eu lemos o exuberante texto Erotismo feminino, mais uma receita? (10 de outubro), de Lya Luft, e deliramos. Desde o primeiro dia da atual Presidncia, ambos consideramos um absurdo e uma afronta inventar a palavra presidenta apenas porque uma mulher assumiu a Presidncia da Repblica do Brasil, o que  algo absolutamente natural. Desde ento, s temos visto apaniguados do poder e outros interessados usar essa palavra.  com prazer que assistimos a uma mulher inteligente e com discernimento chamar ateno para esse tipo de sexismo intil.
CARMEN LCIA BOM E DCIO KETIS 
Por e-mail

HEBE CAMARGO
Com a morte de Hebe, morrem tambm a espontaneidade, o luxo, o glamour e a era da inocncia na televiso. Hebe era a alegria, a vibrao e a vontade de fazer uma televiso transparente. Um vazio ficar para sempre no sof da loira do selinho.
RUVIN BER JOS SINGAL
So Paulo, SP

EIKE BATISTA
Ao ler a reportagem A prova de fogo do X (10 de outubro), observei a foto principal e descobri o problema do imprio X de Eike Batista: so raras as mulheres na equipe. Dr. X, talvez as coisas melhorem se voc tiver mais XX na equipe e no conselho. As mulheres so excelentes conselheiras. Para quem gosta tanto de X, incorporar mais alguns XX  equipe no seria problema.
DANIELA CERRI
Rio de Janeiro, RJ

SILDENAFILA E HIPERTENSO
A nota O azulzinho no SUS (Radar, 10 de outubro) informou que a sildenafila (princpio ativo do Viagra)  indicada para o tratamento de hipertenso arterial. Esse frmaco, na verdade,  indicado para tratar a hipertenso arterial pulmonar (HAP), uma hipertenso da circulao dentro dos pulmes, muito mais rara e de prognstico completamente diferente.
ERALDO SIMES BARBOSA
Mdico pneumologista 
Caruaru, PE

PARA SE CORRESPONDER COM A REDAO DE VEJA: as cartas para VEJA devem trazer a assinatura, o endereo, o numero da cdula de identidade e o telefone do autor, Enviar para: Diretor de Redao, VEJA  Caixa Postal 11079  CEP 05422-970  So Paulo  SP; Fax (11) 3037-5638; e-mail: veja@abril.com.br. Por motivos de espao ou clareza, as cartas podero ser publicadas resumidamente. S podero ser publicadas na edio imediatamente seguinte as cartas que chegarem  redao at a quarta-feira de cada semana.


7. BLOGOSFERA
EDITADO POR KATIA PERIN kperin@abril.com.br

COLUNA 
REINALDO AZEVEDO
MENSALO
Nunca se viu um julgamento como o do mensalo no Supremo. Mas  porque tambm nunca se cometeu um crime dessa envergadura. Em que outro momento da histria um partido, aboletado no poder, meteu a mo em dinheiro pblico e recorreu a vrias fraudes para financiar um projeto de poder? www.veja.com/reinaldoazevedo

ESPELHO MEU
LUCIA MANDEL
DERMATITE
Dermatite atpica  uma inflamao de pele que provoca coceira e descamao. Ela vai e vem, mas  possvel prevenir  ou diminuir  as crises. 
www.veja.com/espelhomeu

COLUNA
AUGUSTO NUNES
PERNAMBUCO
A surra sofrida pelo PT no Recife, cidade que controlou por doze anos, foi a mais espantosa proeza de Lula, o intuitivo incomparvel. Nunca se viu to perfeito tiro no p.
www.veja.com/augustonunes

NOVA TEMPORADA 
FERNANDA FURQUIM
GAME OF THRONES
A terceira temporada de Game of Thrones estreia nos EUA em 31 de maro. Ela  baseada no terceiro livro da trama criada pelo americano George R.R. Martin, A Tormenta de Espadas.
www.veja.com/temporada

SOBRE PALAVRAS
A EXPLOSO DA PALAVRA BIQUNI
Enquanto caminhamos a passos rpidos para o vero, fico com vontade de falar da palavra biquni. A gloriosa carreira internacional da palavra comeou em 1946, quando os Estados Unidos iniciaram uma srie de testes nucleares detonando uma bomba embaixo dgua no Atol de Bikini, pertencente s Ilhas Marshall, no Pacfico. Naquele mesmo ano, o designer Louis Rard registrou a palavra bikini como marca de sua verso especialmente exgua de duas peas. Depois disso, s no foi possvel, para tristeza de Rard, controlar a reao lingustica em cadeia que espalhou a palavra pelo mundo como substantivo comum.
www.veja.com/sobrepalavras

SOBRE IMAGENS
AS CORES DE VICTOR KEPPLER
O americano Victor Keppler (1904-1987) foi um dos pioneiros no uso da fotografia colorida no mercado publicitrio. Nascido em Nova York, Keppler atendeu as maiores agncias de publicidade da poca e realizou centenas de editoriais. Conhea no blog algumas das fotos que hoje esto guardadas na George Eastman House.
www.veja.com/sobreimagens

IMPERDVEL
RETRATO DOS EUA PS-DEPRESSO
Em Regras de Cortesia, o autor Amor Towles retrata a sociedade americana ps-depresso econmica ao narrar a histria de Katey Kontent, uma secretria que realiza o sonho de circular entre os ricos e poderosos de Nova York. A histria  contada em flashback e comea quando a personagem conhece o sedutor banqueiro Tinker Grey, durante uma festa de Ano-Novo.
www.veja.com/imperdivel

CINEMA
SELVAGENS  S DIVERSO
O filme Selvagens  muito divertido para quem no se incomoda com aquele sensacionalismo do diretor Oliver Stone. O longa no tem mensagem nenhuma e no quer dizer rigorosamente nada. E no  que, em se tratando de Oliver Stone, que, hoje em dia, quando fala, fala muita besteira, o filme fica muito melhor assim?
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Esta pgina  editada a partir dos textos publicados por blogueiros e colunistas de VEJA.com


8. EINSTEIN SADE  ENTENDA COMO TRATAR O VITILIGO
Causa da doena  desconhecida, mas tom da pele pode voltar ao normal com teraputica adequada.

     Manchas brancas de diferentes tamanhos e formas, localizadas principalmente no rosto, mos, ps, joelhos e cotovelos. Esse  o sinal mais claro do vitiligo, doena dermatolgica benigna caracterizada pela perda da pigmentao natural da pele. Apesar de no prejudicar a sade fsica e no ser contagiosa, a doena causa problemas emocionais que contribuem para a evoluo no aparecimento das manchas.
     Os mdicos ainda no sabem explicar ao certo o que causa o vitiligo. A teoria mais aceita define a doena como autoimune. Uma disfuno no sistema imunolgico faz com que as defesas do corpo ataquem os melancitos, clulas responsveis pela produo de melanina, que d cor  pele.
     Dentre as opes de tratamento que vm ganhando espao est o uso de imunomoduladores como o tacrolimus e o pimecrolimus, que controlam as clulas do sistema autoimune. Tambm h uma nova forma de fototerapia com radiao ultravioleta do tipo B (UVB), a chamada narrow band, ou banda estreita, em que o paciente entra em uma cabine e os raios UVB induzem a proliferao de melancitos.
     H quase cinco anos, os dermatologistas passaram a usar o excimer Laser, uma energia luminosa que funciona no mesmo comprimento de onda dos raios UVB e estimula a produo de melanina. Ele tem sido utilizado como auxlio nos casos que no respondem aos tratamentos convencionais.
     Alm dessas opes, novos estudos trazem esperanas aos portadores de vitiligo, dentre eles o uso da bimatoprosta. Resultados preliminares apontam que a substncia, hoje presente em um colrio para tratar glaucoma, pode ser eficaz na repigmentao da pele.
     No entanto, a aplicao de corticoides continua sendo a primeira alternativa na maioria dos casos, seguida pela utilizao de psoralenos, substncias que auxiliam na pigmentao, deixando a pele mais sensvel  ao dos raios utravioleta. Como opo cirrgica, h a possibilidade de serem feitos enxertos de pele sadia em locais afetados pela doena. E para aquelas pessoas que tm mais de 75% da pele coberta por manchas,  possvel fazer a despigmentao da pele sadia, a fim de igual-la ao restante do corpo.
     Como se v, a variedade de tratamentos disponveis  grande e novos estudos prometem ainda mais alternativas. Porm, o desafio est em definir o tratamento mais adequado para cada paciente por no ser possvel prever a resposta de cada organismo. Uma coisa, no entanto, vale para todos os casos: quanto antes for iniciado o tratamento, maiores as chances de deter a evoluo das manchas ou de repigmentar a pele.

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